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quinta-feira, setembro 06, 2012

Banheiros e etc


Enquanto estavamos no Brasil, passamos por uma situação que me deixou bastante impressionada. Estavamos almoçando no shopping, Julia pediu para ir ao banheiro e o pai foi levar. 

Terminei de comer, esperei, comi sobremesa, esperei mais um pouco e quando comecei a me preocupar, chega o marido quase verde. Ele entrou no banheiro feminino com a Julia, alguém viu e chamou o segurança "pois um homem estava dentro do banheiro das mulheres".

Eu não sei contar com detalhes o que aconteceu, so sei que demorou, mas arrumaram um escandalo, queriam chamar a policia e nada que o marido falava ajudava a consertar a coisa, e brigaram, e deram lição de moral, e quase conseguiram estragar nosso dia por nada. 

Digo por nada pois, marido disse que antes de entrar no banheiro, pediu pra Julia entrar e olhar se não havia alguém trocando de roupa ou com a porta aberta, mas nada disso ajudou a resumir o mal-entendido (não faço ideia se escrevi mal-entendido certo). 

O que me deixou com mais raiva, se é que da pra dividir a raiva em varias partes, foi o marido contar que so brigavam e ninguém dava uma solução, quando ele perguntava "o que voces querem que eu faça, deixo minha filha fazer xixi na roupa da proxima vez?", e so respondiam para chamar a mãe, ou alguma outra mulher que estivesse la perto.

Hoje me lembrei disso quando vi essa foto postada por uma amiga no facebook e voltei um pouco no tempo, quando cheguei aqui e sempre achava o maximo quando via homens empurrando carrinho de bebê, ou entrando no trocador do supermercado onde faziamos compras, que por sua vez era dentro do banheiro feminino e todos continuavam suas vidas normalmente. Não sei onde essa foto foi tirada, não consegui encontrar a fonte também, (se encontrar atualizo aqui) mas ver isso me da esperança, vejo uma luz no fim do tunel. 

Sei que tem muito maluco por ai, homens realmente perturbados ou que querem mesmo sacanear e entram em banheiros femininos so pra chatear, mas gente, a situação do marido levando Bebedocinha no banheiro està muito longe disso. 

Sei que não tem nada haver com o post e recordar é viver... Uma vez estava numa boate gay, no aniversario de um amigo, e sem saber entrei no banheiro masculino. Porém so fui saber que estava no lugar "errado" quando sai e vi a plaquinha na porta, foi naquele momento senti também uma liberdade imensa, afinal, mesmo o banheiro estando cheio de homens, talvez alguém se assustou ou achou ruim, mas ninguém me olhou de lado, ninguém me reprimiu ou me questionou. 



quarta-feira, agosto 08, 2012

Diferenças


Desde o inicio do blog, eu sempre tive vontade de fazer post a respeito das (tantas) diferenças entre o Brasil e a França. Porém cada vez que eu ameaçava escrever sobre, vinha um e lascava a pérola: “brasileiro é tudo igual, num se conforma com nada nunca”, “se ta ruim volta pro seu país” e tantas outras, que xàpràlà.

Mas, tem dias que a lingua coça, os dedos formigam... Então la vou eu.

Enquanto estava no Brasil, uma coisa que percebi que estamos longe de conseguir é ser profissionais. Não quero entrar no porque da coisa, só comentar o que aconteceu.

Fui numa loja dos chinelos conhecidos no mundo todo, comprei chinelos pra mim, pro marido, pra Julia, pros amigos, enfim, uns trocentos pares. Dois dias depois uma amiga deu um par de presente pro marido, igual a um que ele tinha, detalhe, comprado na mesma loja.

Como já não precisaria de chinelo para o próximo século, tinha a nota fiscal, não havia sido usado, pensei: devolvo e pronto.

Ah minha gente, que bobagem.

Para começar devolver mercadoria simplesmente não existe no Brasil né? Pior que isso, é a maneira que fui tratada por ao menos pensar na possibilidade de querer tal coisa. E ainda (se é que é possível) mais triste, a linguagem, a maneira da vendedora se expressar “nunca na vida que fazemos devolução de mercadoria”, “minha gerente vai cag@r na minha cara se  chegar aqui e ver que eu fiz isso”, e por ai foi, tão de mal a pior que  antes mesmo de pensar 'cadê o Procon'  fiquei com tanta raiva que só queria sair correndo da loja e jogar o chinelo fora.

E eu percebo que a coisa vai degringolando, essa semana precisei ligar pro atendimento da antiga universidade onde eu estudava (renomada, cara, com processo de selação para contratação dos funcionarios) e quase morri de catapora.  “Pera ai um minutinho”, “eu vou estar te transferindo”, “tchau tchau” (quase uma Xuxa né?)